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Artigos
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Antraz:
perigo iminente ou casualidade ? Serpentes
em festa - Instituto Brasileiro comemora centenário com a re-inauguracão
de sua maior atração, o museu biológico
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Antraz (ou
CARBÚNCULO / Bacillus anthracis)
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Os
casos de contaminação descritos nos EUA como resultado
de Bioterrorismo despertaram o interesse por essa doença, que
até meses atrás só acometia profissionais ligados
ao ramo agropecuário, ainda assim com baixa incidência.
O agente causador, Bacillus
anthracis, é um bacilo gram positivo, capsulado, formador
de esporos em condições de aerobiose; pertencendo a
um gênero que contém mais de 50 espécies. São
bacilos não móveis, catalase positivos e extremamente
susceptíveis a concentrações modestas de Penicilina.
Morfologicamente, as colônias se caracterizam por não
apresentarem hemólise em Ágar, sangue de carneiro, aspecto
mucóide e projeções do centro para a periferia,
assumindo um aspecto de cabeça de Medusa. O
contato com o bacilo não necessariamente desenvolve a doença,
tendo como fatores de importância: a via de contato, a quantidade
de bacilo inoculada, a idade do paciente e seu estado imunológico.
Não está descrita na literatura a transmissão
de pessoa a pessoa. Existem
três formas de apresentação da doença:
cutânea, gastrointestinal e pulmonar: ANTRAZ
CUTÂNEO A
forma cutânea é a mais frequente e benigna e evolui para
cura na totalidade dos casos quando devidamente tratada. Casos não
tratados apresentam até 20% de possibilidade de óbito.
A penetração do
agente na pele ocorre através da de cortes ou lesões
abrasivas previamente existentes. Os profissionais que manipulam carnes
de animais silvestres, açougueiros e produtos como lã
ou couro, estão mais expostos ao bacilo. Após
a inoculação, segue um período de 1 a 2 dias
até o surgimento de pequena pápula pruriginosa, de evolução
rápida para vesícula com dissecação e
formação de centro necrótico. As lesões
apresentam de 1 a 3 cm de diâmetro, sendo pouco dolorosas. Linfangite
satélite acompanha o quadro. ANTRAZ
GASTROINTESTINAL A
ingestão dos esporos de B. anthracis pode desenvolver
a forma gastrointestinal da doença, que se caracteriza por
febre, perda do apetite, dores abdominais, vômitos, podendo
ou não evoluir para diarréia. Devido à dificuldade
diagnóstica, a taxa de mortalidade é mais alta do que
a da forma cutânea. Os alimentos mais frequentemente envolvidos
são carnes de animais silvestres ou de animais comumente ingeridos
na nossa dieta, provenientes de zonas endêmicas. Cuidados na
cocção dos alimentos são de fundamental importância.
ANTRAZ
INALATÓRIO Os
casos de grande fatalidade correspondem à forma pulmonar da
doença. Após a inalação dos esporos, segue
um período de 2 a 5 dias até o início dos sinais
e sintomas. Estes incluem febre, fadiga e mal estar, semelhante a
uma infecção de vias aéreas superiores. O agravamento
do quadro respiratório se faz de forma rápida com dispnéia,
cianose e derrame pleural. Aproximadamente
5% dos pacientes desenvolvem meningite como forma de complicação
do quadro, seja pulmonar, gastrointestinal ou cutâneo. Os sintomas
são típicos de meningite bacteriana, com evolução
muito rápida. O paciente pode evoluir para perda de consciência
ou óbito em um período que não ultrapassa
6 dias a partir do início da infecção. Dentre
as drogas de escolha para o tratamento, citamos a Penicilina, Eritromicina,
Cloranfenicol, Tetraciclina e a tão comentada Ciprofloxacina.
Esta última é a droga preconizada pelo consenso de 1999,
na dose de 400mg por via endovenosa de 12 em 12 horas, por 60 dias
em adultos. Em crianças, a dose é de 20-30mg/Kg de peso/dia
com o máximo de 1g/dia. Após a melhora clínica,
a terapêutica pode ser mudada para Via Oral. Nos
Estados Unidos, algumas medidas são impostas pelo CDC
frente a um provável objeto contaminado:
1. Colocá-lo em um saco plástico (evitando tocá-lo)
a fim de conter vazamento do conteúdo, deixando-o em superfície
estável para que possa ser examinado;
2. Lavar as mãos com água e sabão;
3. Fechar as janelas do recinto em que se encontra o objeto. Bloquear
o sistema de ventilação;
4. Comunicar à autoridade sanitária local;
5. Criar uma lista com o nome das pessoas que se encontram no recinto,
entregando a lista à autoridade responsável;
6. Iniciar profilaxia com Ciprofloxacina até a conclusão
da análise do material suspeito;
7. Descontaminação do ambiente com vapor de formol,
por pessoal habilitado. A
prevenção da infecção pode ser feita a
partir de vacina já existente, com uma eficácia de 93%.
No entanto só é realizada em profissionais que entram
diretamente em contato com o agente, como equipes de resgate, profissionais
da vigilância epidemiológica e técnicos de laboratório.
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Serpentes em Festa (Instituto
Brasileiro comemora centenário com a re-inauguracão
de sua maior atração, o museu biológico)
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Serpentes,
escorpiões e aranhas estão em festa. O Instituto Butantan,
referência mundial em pesquisa científica sobre animais
peçonhentos e produção de soros e vacinas, celebra
neste mês seu centenário de fundação. Para
fechar as comemorações, que agitavam desde o ano passado
o arborizado espaço da Instituição, na Zona Oeste
da capital, serão lançadas uma série de selos
e uma medalha do centenário do museu, sobre soros e vacinas.
Mas a grande vedete da festança
será a inauguração, no próximo dia 23,
do museu de biologia, tradicional espaço dedicado à
exposição de jibóias, najas, cascavéis
e caranguejeiras, fechado para reforma desde agosto passado. "O
museu vai mudar completamente. Além de novos animais e vitrines
renovadas, iremos proporcionar maior interatividade, com vídeos
sobre as atividades do instituto", diz o biólogo Henrique
Moises Carter, de 62 anos, diretor da divisão cultural da instituição.
Curiosamente, a criação do Butantan - inicialmente batizado
de Instituto Serumtherapico - deve ser creditada não aos ofídios,
e sim às suas presas preferenciais, os ratos. Em 1889, um surto
de peste bubônica na cidade de Santos (SP) levou o governo do
Estado a providenciar um local para a produção de soros
antipestosos. Instalado no espaço da antiga Fazenda Butantan
e comandado pelo médico Vital Brazil (1965-1950), um
cobra na área de animais peçonhentos, o Butantan começou
a funcionar em 1900, mas só foi oficializado em 23 de fevereiro
de 1901. Naquele mesmo ano, após a entrega do primeiro lote
de soros antipestosos, Brazil começou a se voltar aos estudos
antiofídicos. Foi o médico mineiro quem demonstrou que
a única arma conta o envenenamento de serpentes era o antídoto
específico, obtido a partir do veneno do próprio animal
que causa o acidente. Em 1912, foi constituído o serpentário,
área onde são expostas ao ar livre serpentes brasileiras.
A reforma do receitamentoé
outra das grandes atrações do Butantan. Nesse ritmo,
o instituto, que pelos idos de 50 cedeu boa parte de seu espaço
para a instalação do campos da Universidade de São
Paulo recebendo em troca uma fazenda Araçariguama (SP), tornou-se
um dos maiores centros científicos do mundo em seu campo de
atuação. Ligado à Secretaria Estadual de Saúde,
produz anualmente 70 milhões de vacinas para a prevenção
de tétano, além de 620 mil doses de soros hiperimunes
- são mais de 15 tipos, incluído soros antarcnídico
e antiescorpiônico. Mais: em 1985 o Butantan tornou-se a primeira
instituição do Hemisfério Sul a desenvolver uma
vacina, a hepatite B, utilizando a tecnologia do DNA recombinante.
Além de continuar firme
nas pesquisas sobre cobras e aranhas, os laboratórios do Instituto
agora encaram um problema que Vital Brazil nunca imaginaria:
as taturanas. Nos últimos cinco anos, vários
casos envolvendo a lagarta Lonomia abliquia foram registrados
no Rio Grande do Sul e Santa Catarina - alguns desses com vítimas
fatais. Em contato com a pele humana, os espinhos do inseto podem
causar hemorragias internas e externas e até a morte do indivíduo.
Apesar de já estarem desenvolvendo um soro específico
para os acidentados com taturana, os cientistas do Butantan lamentam
que alguns já estejam chamando a Lonomia de lagarta
assassina. "Na natureza não existem vilões. Os
casos com a taturana são fruto de agressão humana ao
meio ambiente. A melhor forma de resolver isso é a conscientização
e a preservação do meio ambiente", ensina Carter.
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